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Tecnologia aproveita casca de coco verde
 
 
 
O crescimento agroindustrial, se por um lado é um vetor de desenvolvimento de um país, por outro contribui para o aumento da geração de resíduos sólidos, que muitas vezes podem criar um impacto negativo para o meio ambiente. Um dos exemplos é a água-de-coco verde, que vem despontando como um produto bastante promissor no mercado brasileiro, com crescimento de consumo estimado em 20% ao ano. Atualmente, o Brasil é líder mundial na produção de coco verde, com uma área equivalente a 57 mil hectares.

O problema, no entanto, é que esse aumento de consumo gera também, a cada ano, mais de 6,7 milhões de toneladas de casca de coco, transformando-se em um sério problema ambiental, principalmente para as grandes cidades. Só para se ter uma idéia, cerca de 70% do lixo gerado nas praias do Nordeste é composto por cascas de coco verde, material de difícil degradação e foco para proliferação de doenças, diminuindo a vida útil de aterros sanitários e lixões.

O aproveitamento da casca de coco verde vem sendo estudado há cinco anos pela Embrapa Agroindústria Tropical (Fortaleza - CE), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e pode se tornar uma prática ambientalmente sustentável. Segundo a pesquisadora responsável pelo estudo, Morsyleide de Freitas Rosa, é possível desenvolver diversos produtos derivados da casca de coco verde, inclusive substituindo o uso da samambaiaçu (mais conhecido como xaxim) na fabricação de vasos e substratos agrícolas para plantas. "A samambaiaçu está na lista oficial das espécies brasileiras ameaçadas de extinção, em razão da sua intensa exploração para fins e jardinagem e floricultura", explica Morsyleide.

O projeto prevê a instalação de um completo sistema de negócio, mediante a instalação de uma planta-piloto que envolve a coleta seletiva da casca de coco verde, a reciclagem dessa casca na fabricação de diversos produtos, a implantação de uma unidade de artesanato e a instalação de uma horta comunitária em uma comunidade de Fortaleza (CE). Essa planta-piloto vai fabricar produtos a partir do pó e das fibras extraídas da casca, e terá capacidade para processar 15 mil toneladas por ano. O pó será utilizado para a produção de substrato agrícola e composto orgânico e as fibras servirão de matéria-prima para a manufatura de vasos, tapetes e outros artefatos.

O desenvolvimento do maquinário para o processamento foi desenvolvido por uma equipe de pesquisadores da Embrapa, em parceira com a iniciativa privada, e será exposto durante o Ciência para a Vida 2004, na Vitrine de Tecnologias da Embrapa. A estrutura básica consiste de uma máquina trituradora de coco (que utiliza facas rotativas em disco e faz o fatiamento da casca. Em seguida, passa por marteletes fixos (responsáveis pelo esmagamento do produto) e depois por uma prensa rotativa vertical, que retira todo o líquido por meio de prensagem. Finalmente, a máquina classificadora faz a separação entre pó e fibra, com a utilização de marteletes fixos helicoidais.